O boom dos carros elétricos chegou ao Espírito Santo, alterando o cenário urbano e impulsionando as vendas no setor automobilístico.Só nos três primeiros meses de 2026, o Estado registrou um crescimento de 75,7% nas vendas de veículos elétricos, segundo dados do Sindicato das Concessionárias do Espírito Santo (Sincodives).
Acompanhando esse crescimento, o governador Ricardo Ferraço sancionou, em junho deste ano, o Projeto de Lei nº 342/2026, que garante aos moradores de condomínios residenciais e comerciais o direito de instalar carregadores para veículos elétricos em vagas privativas.
Para a instalação do dispositivo, a nova legislação exige que sejam respeitadas as normas técnicas e de segurança, a capacidade elétrica da edificação e as exigências da concessionária de energia.
Diante dessa nova lei, torna-se essencial que os síndicos se preparem para receber essa demanda e saibam como lidar com uma mudança que já é realidade em todo o país.
Passos para lidar com a nova legislação
De acordo com Jeifferson Lima, gerente de Relacionamento da Condonal, o melhor caminho para todo síndico é se preparar antes que a primeira solicitação para instalação de carregadores elétricos chegue.
Para isso, o primeiro passo é realizar uma avaliação da instalação elétrica com uma empresa responsável e habilitada, contando com profissionais da área de engenharia elétrica, como engenheiros eletricistas.
O engenheiro eletricista Guido Agrizzi, da empresa de carregadores para veículos ChargEVix, explica que a primeira tarefa desses profissionais é realizar uma análise de viabilidade técnica.
“O estudo de viabilidade é uma análise minuciosa da rede elétrica do condomínio para verificar se ela comporta a instalação dos carregadores de carga elétrica.”
A partir desse estudo, o síndico receberá um laudo que indicará quantos carregadores o condomínio suporta, se serão necessárias melhorias e quais locais são mais adequados para esse tipo de instalação.
Com essa análise em mãos, fica mais fácil para os administradores responderem às solicitações dos moradores com mais rapidez e segurança.
Reunião em assembleia
Para Lima, o próximo passo é levar o assunto para a assembleia. A ideia é que o síndico apresente o estudo de viabilidade aos moradores e, a partir desses dados, delibere regras claras sobre padrões técnicos, forma de comunicação e responsabilidade pelo consumo de energia ou por eventuais danos.
Instalação dos carregadores
Caso o laudo apresentado pelo engenheiro eletricista constate a possibilidade de instalação dos carregadores, os síndicos precisam saber como recepcionar os pedidos dos moradores.
Para isso, Jeifferson Lima orienta que tudo seja feito por escrito. O pedido do morador deve ser protocolado, assim como a resposta do condomínio.
“Todos os documentos, como o laudo e a responsabilidade técnica, devem ficar arquivados. Sempre que possível, o assunto também deve constar na ata da assembleia ou da reunião da diretoria.”
Essa é uma forma estratégica de registrar que a tomada de decisão foi baseada em documentos técnicos, e não apenas na opinião do síndico.
Lima ressalta também que, agora, o condomínio não pode mais simplesmente negar o pedido de um morador para instalar um carregador de carro elétrico.
“Se o síndico negar um pedido sem uma justificativa técnica, o condomínio pode enfrentar questionamentos e até responder perante os órgãos competentes”, afirma Lima.
Segurança
Outro ponto de atenção está relacionado ao cumprimento das normas técnicas. No Espírito Santo, essas regras estão previstas na NT-23/2026 do Corpo de Bombeiros, explica o engenheiro eletricista Guido Agrizzi.
Ele destaca que essa é a principal orientação de segurança devido aos requisitos para renovação do alvará e do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, pré-requisitos para que as instalações prediais permaneçam seguras
“É o Corpo de Bombeiros que rege isso. Dentro do Corpo de Bombeiros, foi criada a NT-23, em março de 2026. Nela, estão incluídas as outras normas que precisam ser cumpridas, como as NBRs.”
Ter conhecimento das normas técnicas também é uma forma de o síndico fiscalizar e resguardar a propriedade. Se o morador resolver instalar o carregador por conta própria, sem seguir as normas de segurança, o prédio pode ficar exposto a problemas elétricos e riscos de incêndio.
“Por isso, o melhor caminho é tratar o assunto de forma organizada, com apoio técnico e seguindo a norma dos Bombeiros. Assim, o síndico protege o condomínio, os moradores e também a sua própria responsabilidade na administração”, conclui Jeifferson Lima


